No ano de 1500, quando
Portugal e Espanha exploravam o oceano em busca de novas terras, 13
caravelas comandadas pelo fidalgo português Pedro Álvares Cabral
avistaram terra na região do Monte Pascoal. Na verdade, os portugueses
acreditavam que tudo era apenas um grande monte, até que Cabral
suspeitou que existia uma faixa de terra também, chamando o local de
Ilha de Vera Cruz. Após outras expedições portuguesas na região, foi
descoberto que não se tratava de uma ilha, mas sim de uma enorme área
continental, fazendo com que novamente o nome fosse alterado para Terra
de Santa Cruz. Após a descoberta do pau-brasil, em 1511, a região ficou
conhecida pelo nome que possui atualmente: Brasil.
Muitos críticos salientam que o emprego do termo “descobrimento” é
baseado em uma visão eurocêntrica, uma vez que já existiam muitos povos
indígenas habitando o Brasil. Para evitarem guerras e disputas
territoriais, a fim de melhor poderem explorar as novas terras, Portugal
e Espanha elaboram o Tratado de Tordesilhas, em 1494. O Tratado
estabelecia que Portugal ficaria com as terras a leste da linha
imaginária ( 200 milhas a oeste das ilhas de Cabo Verde) e a Espanha,
com terras a oeste desta linha.
Mesmo após a descoberta de uma potencial área de exploração, Portugal
ainda mantinha seu foco no comércio com as Índias, visto que as
especiarias da região eram muito apreciadas. No Brasil, passaram a
explorar unicamente o pau-brasil, uma árvore possuidora de uma madeira
de tom avermelhado muito comercializada no velho continente. Para a
exploração do pau-brasil, os portugueses usavam o trabalho indígena por
meio da política do escambo: os colonizadores davam insignificantes
presentes (espelhos, apitos, etc.) em troca do trabalho indígena.
A partir de 1530, após a expedição de Martin Afonso de Souza, Portugal
passou a se interessar mais pelo Brasil, visto as potencialidades de
exploração. Além disso, muitos piratas estrangeiros roubavam ilegalmente
o pau-brasil, crescendo também a ameaça de uma ocupação estrangeira
definitiva. Assim, a metrópole decidiu, de fato, colonizar o Brasil,
resultando na experiência do plantio de cana-de-açúcar e do surgimento
do sistema de capitanias hereditárias.
Mais historias,
A História do Brasil é
um domínio de estudos de História focado na evolução do território e da
sociedade brasileiros que, canonicamente, se estende desde a chegada dos
portugueses, em 1500, até os dias atuais. No entanto, este artigo também
contém informações sobre a pré-história do Brasil, ou seja, o período em
que não houve registros escritos sobre as atividades aqui desenvolvidas
pelos povos indígenas.
Periodização
A periodização tradicional divide a História do Brasil normalmente em
quatro períodos gerais: Pré-Descobrimento (até 1500), Colônia (1500 a
1822), Império (1822 a 1889) e República (de 1889 aos dias atuais).
O Brasil foi oficialmente descoberto em 22 de abril de 1500 pelo
navegador português Pedro Álvares Cabral, que, no comando de uma
esquadra com destino à Índia, chegou ao litoral sul da Bahia, na região
da atual cidade de Porto Seguro. A partir de 1530, a Coroa Portuguesa
implementou uma política colonizadora, inicialmente com as capitanias
hereditárias, depois com o governo geral, instalado em 1548. As
capitanias só foram extintas em 1759; o governo geral durou até 1808.
Do século XVI em diante, foi crescente o tráfico de escravos vindos da
África, tornando o negro a esmagadora maioria da força de trabalho na
colônia. Nesse período, além da extração de pau-brasil, a plantação de
cana-de-açúcar impulsionou a economia. Nos séculos XVI e XVII,
fracassaram tentativas da França e da Holanda de se estabelecerem no
Nordeste.
No final do século XVII foram descobertas ricas jazidas de ouro nos
atuais estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. O período de maior
produção foi de 1735 a 1754. Em 1789, quando a Coroa anunciava a
derrama, medida para cobrar supostos impostos atrasados, eclodiu em Vila
Rica (atual Ouro Preto) a Inconfidência Mineira. A revolta fracassou e,
em 1792, um de seus líderes, Tiradentes, morreu enforcado.
O título de príncipe do Brasil, criado por D. João IV em favor a seu
filho D. Teodósio, passou a indicar os herdeiros do trono português, que
até então eram denominados simplesmente de príncipes. É improvável que a
bandeira dos príncipes do Brasil tenha sido estendida em solo brasileiro
antes da chegada da família real portuguesa, em 1808. Tanto o pavilhão
quanto o título foram extintos com a criação do título de Príncipe Real
do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1816, por D. João VI.
Em 1808, a Corte Portuguesa transferiu-se para o Brasil, fugindo das
tropas de Napoleão Bonaparte. O regente Dom João VI abriu os portos do
país, permitiu o funcionamento de fábricas e fundou o Banco do Brasil. O
país tornou-se, em 1815, Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Em
1818, Dom João VI foi coroado rei. Três anos depois voltou para
Portugal, deixando seu filho mais velho, Dom Pedro, como regente do
país. Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro proclamou a Independência do
Brasil.
O regente foi aclamado imperador com o título de Dom Pedro I. O soberano
outorgou em 25 de março de 1824 a primeira Constituição Brasileira, que
lhe deu amplos poderes. Durante seu governo, conhecido como Primeiro
Reinado derrotou a Confederação do Equador, revolta iniciada em
Pernambuco, e perdeu o controle sobre a Província Cisplatina (Uruguai),
que declarou independência. Em 7 de abril de 1831, Dom Pedro I abdicou
do trono brasileiro.
Como seu herdeiro, Dom Pedro II, tinha apenas 5 anos, o Brasil foi
governado durante quase uma década por quatro regências formada por
políticos. Era uma fase de grande agitação social e política. Em 1840,
aos 14 anos, Dom Pedro II tinha sua maioridade declarada, sendo coroado
imperador no ano seguinte. Na primeira década do Segundo Reinado, o
regime estabilizou-se. As províncias foram pacificadas e a última grande
insurreição, a Revolta Praieira, em Pernambuco, foi derrotada em 1850.
Nesse mesmo ano, o imperador extingue o tráfico de escravos. Aos poucos,
os imigrantes europeus assalariados substituíram os escravos.
De 1865 a 1870, o Brasil, aliado a Argentina e Uruguai, entrou em guerra
contra o Paraguai. No final do conflito, quase dois terços da população
do Paraguai estava morta. A participação de negros e mulatos nas tropas
brasileiras na Guerra do Paraguai deu grande impulso ao movimento
abolicionista. O lançamento do Manifesto Republicano, em 1870, marcou o
início do declínio da monarquia.
Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel, filha de Dom Pedro II, assinou
a Lei Áurea, que extingue a escravidão. Ao abandonar os proprietários de
escravos, o império perdeu a última base de sustentação. Em 15 de
novembro de 1889, a República foi proclamada pelo marechal Manuel
Deodoro da Fonseca.
O primeiro período republicano no Brasil, a República Velha, durou até
1930. As oligarquias agrárias controlavam o governo. Em 1891 foi
promulgada a segunda Constituição Brasileira, com uma estrutura liberal
federativa, inspirada na Carta Americana. Os anos iniciais foram
marcados pela Revolta Federalista (1893-1895), no Rio Grande do Sul, e
pelo conflito de Canudos, reprimido militarmente em 1897.
Com o primeiro presidente civil, Prudente de Morais, em 1894, tinha
início a política do café-com-leite, caracterizada pela alternância no
poder de paulistas e mineiros. Na década de 1920, a insatisfação de
setores militares com os sucessivos governos fez surgir movimentos de
insurreição, que explodiram no Rio de Janeiro, em 1922, em São Paulo, em
1924, e continuaram até 1927 com a marcha da Coluna Prestes pelo
interior do Brasil.
A quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, abalou a economia
brasileira e levou ao corte dos subsídios para o café. Com a crise da
política do café-com-leite, eclodiu a Revolução de 1930, que leva o
gaúcho Getúlio Vargas ao poder.
O novo presidente implantou a indústria de base, reduziu a importação e
suspendeu o pagamento da dívida externa. Em 1932, o novo Código
Eleitoral instituiu o voto secreto e deu às mulheres direitos políticos.
Em 1934, Vargas estabeleceu a jornada de trabalho de oito horas diárias
e tornou obrigatória a carteira profissional. Nesse mesmo ano, se elegeu
presidente pelo voto indireto da Assembléia Nacional Constituinte, com
mandato até 1938. Foi promulgada a terceira Constituição Brasileira, que
deu mais poder ao governo federal e criou a Justiça Eleitoral e a
Justiça do Trabalho. Após derrotar a Intentona Comunista em 1935, Vargas
deu um golpe em 1937 e implantou a ditadura do Estado Novo. A quarta
Constituição foi então outorgada, com clara inspiração fascista.
Em 1942, o governo brasileiro entrou na Segunda Guerra Mundial ao lado
dos Estados Unidos. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) lutou em
solo italiano em 1944 e 1945, com 25 mil homens, dos quais 451 morreram
em combate. A volta dos soldados ao Brasil causou entusiasmo popular e
acelerou as pressões pela democratização. Vargas renunciou em outubro. O
general Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra de Vargas, venceu as
eleições e tomou posse em janeiro de 1946.
Instalou-se, em 1946, uma nova Assembléia Constituinte. Em setembro,
Dutra promulgou a quinta Constituição Brasileira, de caráter mais
democrático, restaurando garantias individuais e a independência entre
os poderes.
Vargas ganhou as eleições presidenciais de 1950. Criou então a Petrobrás
e estatizou a geração de energia elétrica. Em 1954, Vargas se suicidou.
No ano seguinte, Juscelino Kubitschek foi eleito presidente. Seu governo
privilegiou os setores de energia, transporte, alimentação, indústria de
base e educação. Em 1960, Kubitschek inaugurou Brasília, a nova capital
do país.
Em 1961, o ex-governador paulista Jânio Quadros (autor da frase eu fi-lo,
porque qui-lo) assumiu a Presidência, mas renunciou em agosto do mesmo
ano. O vice, João Goulart, governou até 1964 em crise permanente, pois
suas posições nacionalistas enfrentavam forte oposição militar. Em 31 de
março de 1964, as Forças Armadas depuseram o presidente.
Em abril de 1964, o general Humberto de Alencar Castelo Branco assumiu a
Presidência. O novo regime era marcado pela supressão dos direitos
constitucionais, perseguição policial e militar e censura prévia aos
meios de comunicação. Em 1965, os partidos políticos existentes foram
abolidos e criou-se o bipartidarismo, com a Aliança Renovadora Nacional
(Arena), governista, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de
oposição.
Em 1967, o Congresso aprovou a sexta Constituição Brasileira, que
institucionalizava o regime, com eleições indiretas para a Presidência.
O general Arthur da Costa e Silva assumiu a chefia do Estado no mesmo
ano, e, em dezembro de 1968, fechou o Congresso e decretou o Ato
Institucional nº 5 (AI-5), que lhe deu poderes para fechar o Parlamento,
cassar mandatos e suprimir o habeas-corpus. Ampliou-se a ação de grupos
de luta armada nas cidades e, posteriormente, também no campo.
O general Emílio Garrastazu Médici chegou à Presidência em 1969 e
comandou o período de maior repressão, marcado por prisões, torturas,
exílios, mortes e o desaparecimento de centenas de pessoas.
Simultaneamente, o governo promoveu o chamado milagre econômico, fase
com crescimento acelerado do produto interno bruto (PIB).
Em março de 1974 tomou posse o general Ernesto Geisel, que enfrentou
dificuldades econômicas em razão da dívida externa, da inflação e da
crise internacional do petróleo. Em 1977, Geisel baixou o Pacote de
Abril, que alterou as regras eleitorais para garantir a maioria da
Arena. Começaram os protestos contra o regime. No ano seguinte, o
presidente enviou ao Congresso emenda constitucional que acaba com o
AI-5. Em 1979, o general João Baptista Figueiredo tornou-se presidente.
Ele sancionou a anistia, que libertou presos políticos e propiciou a
volta dos exilados, e restabeleceu o pluripartidarismo.
Em 1978 e 1979, uma onda de greves, iniciada na região do ABC paulista,
espalhou-se pelo país, projetando a liderança de Luís Inácio Lula da
Silva, que, em 1980, comandou a fundação do Partido dos Trabalhadores
(PT). A Arena transformou-se no Partido Democrático Social (PDS) e o MDB
acrescentou a palavra “partido” à sua sigla, tornando-se o PMDB.
Surgiram o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Trabalhista
Brasileiro (PTB).
Em 1983, sindicatos fundaram as centrais sindicais CUT e Conclat,
rompendo na prática com a legislação trabalhista. No final desse ano e
início do seguinte, aconteceram enormes manifestações por eleições
diretas para a Presidência da República. Em abril de 1984, a emenda
constitucional das eleições diretas recebeu 298 votos, mas não atingiu
os dois terços (320 votos) necessários à sua aprovação.
Em janeiro de 1985, o candidato do PMDB a presidente, Tancredo Neves,
que tinha como vice José Sarney (anteriormente importante liderança do
PDS), derrotou Paulo Maluf (PDS), na eleição no Colégio Eleitoral.
Tancredo vence por 480 votos a 180.
O presidente eleito adoeceu antes da posse e morreu em abril. Sarney
assumiu, restabeleceu a eleição presidencial direta e permitiu a
legalização de todos os partidos políticos, incluindo o Partido
Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Comunista do Brasil (PC do B). Os
dissidentes do PDS criaram o Partido da Frente Liberal (PFL), e o
Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi recriado.
Os deputados federais e senadores se reuniram na Assembléia Constituinte
a partir de 1987 e, em 1988, promulgaram a nova Constituição, que amplia
os direitos individuais. Nesse mesmo ano, uma dissidência do PMDB formou
o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em 1989, nas primeiras
eleições diretas para a Presidência desde 1960, Fernando Collor de
Mello, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), derrotou Luis Inácio
Lula da Silva (PT) no segundo turno. Sua primeira medida foi o
lançamento do Plano Collor, que estabeleceu o confisco monetário, até
mesmo de contas correntes e poupanças, e o congelamento de preços e
salários. Em pouco tempo, a inflação voltou a crescer. Em 1990, a
maioria dos integrantes do PCB decidiu formar o Partido Popular
Socialista (PPS).
Em abril de 1992, Collor foi acusado de envolvimento em um esquema de
corrupção coordenado por seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias,
o PC. Em outubro, sob pressão de grandes manifestações populares, a
Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment contra o presidente
e o afastou do cargo. Em dezembro, Collor renunciou pouco antes de ter
seus direitos políticos suspensos pelo Senado. Seu vice, Itamar Franco,
que havia assumido em outubro, tomou posse definitivamente.
Em julho de 1994, o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso,
coordena o lançamento do Plano Real, programa de estabilização
econômica. A moeda brasileira passa a ser o real, e a inflação despenca.
Poucos meses depois, Fernando Henrique vence as eleições presidenciais
com maioria no primeiro turno. O novo presidente adota medidas para
preservar a estabilidade econômica e estimular as reformas
constitucionais consideradas necessárias para atrair investimentos
estrangeiros. Grandes empresas estatais, como a Companhia Vale do Rio
Doce, são privatizadas. Em 1997, o governo concentra seus esforços na
aprovação do direito de reeleição dos ocupantes de cargos executivos,
incluindo o próprio presidente.
Durante o ano de 1998, o governo encaminha a reforma da Previdência e
privatiza as companhias telefônicas. As eleições presidenciais de
outubro são vencidas por Fernando Henrique Cardoso, de novo com a
maioria dos votos no primeiro turno.
Duramente atingido pela instabilidade do mercado financeiro mundial, o
Brasil recebe em novembro um empréstimo de 41,5 bilhões de dólares do
Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca do compromisso de realizar
um ajuste fiscal.
Em 1° de janeiro de 1999, Fernando Henrique assume seu segundo mandato
consecutivo. No decorrer do ano, há mudanças na estrutura do governo,
sendo a mais importante, a criação do Ministério da Defesa, extinguindo
os quatro ministérios militares (Marinha, Exército, Aeronáutica e
Estado-Maior).
Período pré-descobrimento (até 1500)
Mapa da América do Sul de 1575.Ver artigos principais: Pré-História do
Brasil.
Quando descoberto pelos portugueses em 1500, estima-se que o atual
território do Brasil (a costa oriental da América do Sul), era habitado
por 2 milhões de indígenas, do norte ao sul.
A população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas (atentar
pois falando de indígenas o termo "nação" não tem o peso que conhecemos)
compostas por vários grupos étnicos entre os quais se destacam os
grandes grupos tupi-guarani, jê e aruaque. Os primeiros eram
subdivididos em guaranis, tupiniquins e tupinambás, entre inúmeros
outros. Os tupis se espalhavam do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande
do Norte de hoje. Segundo Luís da Câmara Cascudo[1], os tupis foram «a
primeira raça indígena que teve contacto com o colonizador e (…)
decorrentemente a de maior presença, com influência no mameluco, no
mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no europeu que se fixava». A
influência tupi se deu na alimentação, no idioma, nos processos
agrícolas, de caça e pesca, nas superstições, costumes, folclore, como
explica Cascudo:
«O tupi era a raça histórica, estudada pelos missionários, dando a tropa
auxiliar, recebendo o batismo e ajudando o conquistador a expulsar
inimigos de sua terra. (…) Eram os artífices da rede de dormir,
criadores da farinha de mandioca, farinha de pau, do complexo da goma de
mandioca, das bebidas de frutas e raízes, da carne e peixe moqueados,
elementos que possibilitaram o avanço branco pelo sertão».
Do lado europeu, a descoberta do Brasil foi precedida por vários
tratados entre Portugal e Espanha, estabelecendo limites e dividindo o
mundo já descoberto do mundo ainda por descobrir.
Destes acordos assinados à distância da terra atribuída, o Tratado de
Tordesilhas (1494) é o mais importante, por definir as porções do globo
que caberiam a Portugal no período em que o Brasil foi colônia
portuguesa. Estabeleciam suas cláusulas que as terras a leste de um
meridiano imaginário que passaria a 370 léguas marítimas a oeste das
ilhas de Cabo Verde pertenceriam ao rei de Portugal, enquanto as terras
a oeste seriam posse dos reis de Castela (atualmente Espanha). No atual
território do Brasil, a linha atravessava de norte a sul, da atual
cidade de Belém do Pará à atual Laguna, em Santa Catarina.
Quando soube do tratado, o rei de França Francisco I teria indagado qual
era "a cláusula do testamento de Adão" que dividia o planeta entre os
reis de Portugal e Espanha e o excluía da partilha.
Período colonial (1500-1808)
A chegada dos portugueses
Descoberta do Brasil
Litografia de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil em 1500, em
rótulo de cigarros do Brasil.No dia 22 de abril de 1500, o então
português Pedro Álvares Cabral, saindo de Lisboa, iniciou viagem para
oficialmente descobrir e tomar posse das novas terras para a Coroa, e
depois seguir viagem para a Índia (contornando a África para chegar a
Calecute). Levava duas caravelas e 13 naus, e de 1.200 a 1.500 homens -
entre os mais experientes Nicolau Coelho, que acabava de regressar da
Índia; Bartolomeu Dias, que descobrira o cabo da Boa Esperança, e seu
irmão Diogo Dias (que mais tarde Pero Vaz de Caminha descreveria
dançando na praia em Porto Seguro com os índios, « ao jeito deles e ao
som de uma gaita»). As principais naus se chamavam Anunciada, São Pedro,
Espírito Santo, El-Rei, Santa Cruz, Fror de la Mar, Victoria e Trindade
(RIBEIRO, «História do Brasil», pág.43). O vice-comandante da frota era
Sancho de Tovar e outros capitães eram Simão de Miranda, Aires Gomes da
Silva, Nuno Leitão, Vasco de Ataíde, Pero Dias, Gaspar de Lemos, Luís
Pires, Simão de Pina, Pedro de Ataíde, de alcunha o inferno, além dos já
citados Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias. Por feitor, a armada trazia
Aires Correa, que havia de ficar na Índia, e por escrivães Gonçalo Gil
Barbosa e Pero Vaz de Caminha. Entre os pilotos, que eram os verdadeiros
navegadores, vinham Afonso Lopes e Pero Escobar. Diz a Crônica do
Sereníssimo Rei D. Manuel I:
«E, porque el Rei sempre foi mui inclinado às coisas que tocavam a nossa
Santa fé católica, mandou nesta armada oito frades da ordem de S.
Francisco, homens letrados, de que era Vigário frei Henrique, que depois
foi confessor del Rei e Bispo de Ceuta, os quais como oito capelães e um
vigário, ordenou que ficassem em Calecut, para administrarem os
sacramentos aos portugueses e aos da terra se se quisessem converter à
fé.»
Âncoras levantadas em Lisboa, a frota passou por São Nicolau, no
arquipélago de Cabo Verde, em 16 de março. Tinham-se afastado da costa
africana perto das Canárias, tocados pelos ventos alísios em direção ao
ocidente. Em 21 de abril, da nau capitânea avistaram-se no mar, boiando,
plantas. Mais tarde surgiram pássaros marítimos, sinais de terra
próxima. Ao amanhecer de 22 de abril ouviu-se um grito de "terra à
vista", pois se avistou o monte que Cabral batizou de Monte Pascoal, no
litoral sul da atual Bahia.
Detalhe do mapa "Terra Brasilis" (Atlas Miller, 1519), actualmente na
Biblioteca Nacional de França.Ali aportaram as naus, discutindo-se até
hoje se teria sido exatamente em Porto Seguro ou em Santa Cruz Cabrália,
e fizeram contato com os tupiniquins, indígenas pacíficos. A terra, a
que os nativos chamavam Pindorama ("terra das palmeiras"), foi a
princípio chamada pelos portugueses de Ilha de Santa Cruz e nela foi
erguido um padrão (marco de posse em nome da Coroa Portuguesa). Mais
tarde, a terra seria rebatizada como Terra de Vera Cruz e posteriormente
Brasil. Estava situada 5.000km ao sul das terras descobertas por
Cristóvão Colombo em 1492 e 1 400 quilômetros aquém da Linha de
Tordesilhas. Sérgio Buarque de Holanda descreve, em História Geral da
Civilização Brasileira:
«Tendo velejado para o norte, acharam dez léguas mais adiante um
arrecife com porto dentro, muito seguro. No dia seguinte, sábado,
entraram os navios no porto e ancoraram mais perto da terra. O lugar,
que todos acharam deleitoso, proporcionava boa ancoragem e podia abrigar
mais de 200 embarcações. Alguma gente de bordo foi à terra, mas não pode
entender a algaravia dos habitantes, diferente de todas as línguas
conhecidas».
Detalhe da A Primeira Missa no Brasil de Victor Meirelles (1861)No dia
26 de abril, um domingo (o de Pascoela), foi oficiada a primeira missa
no solo brasileiro por frei Henrique Soares (ou frei Henrique de
Coimbra), que pregou sobre o Evangelho do dia. Batizaram a terra como
Ilha da Vera Cruz no dia 1 de maio e numa segunda missa Cabral tomou
posse das terras em nome do rei de Portugal. No mesmo dia, os navios
partiram, deixando na terra pelo menos dois degredados e dois grumetes
que haviam fugido de bordo. Cabral partiu para a Índia pela via certa
que sabia existir a partir da costa brasileira, isto é, cruzou outra vez
o Oceano Atlântico e costeou a África.
O rei D. Manuel I recebeu a notícia do descobrimento por cartas escritas
por Mestre João e Pero Vaz de Caminha, semanas depois. Transportadas na
nau de Gaspar de Lemos, as cartas descreviam de forma pormenorizada as
condições geográficas e seus habitantes, desde então chamados de índios.
Atento aos objetivos da Coroa na expansão marítima, Caminha informava ao
rei:
«Nela até agora não podemos saber que haja ouro nem prata, nem alguma
coisa de metal nem de ferro lho vimos; pero a terra em si é de muitos
bons ares, assi frios e temperados como os d'antre Doiro e Minho, porque
neste tempo de agora assi os achamos como os de lá; águas são muitas
infindas e em tal maneira é graciosa, que querendo aproveitar-se
dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem; pero o melhor fruto que
nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente (...) boa e de
boa simplicidade».
Damião de Góis narra o descobrimento em sua língua renascentista:
«Navegando a loeste, aos xxiiij dias do mes Dabril viram terra, do que
forão muito alegres, porque polo rumo em que jazia, vião não ser nenhuma
das que até então eram descubertas. Padralures Cabral fez rosto para
aquela banda & como forão bem à vista, mandou ao seu mestre que no
esquife fosse a terra, o qual tornou logo com novas de ser muito fresca
& viçosa, dizendo que vira andar gente baça & nua pela praia, de cabelo
comprido & corredio, com arcos & frechas nas mãos, pelo que mandou
alguns dos capitães que fossem com os bateis armados ver se isto era
assi, os quaes sem sairem em terra tornaram à capitaina afirmando ser
verdade o que o mestre dixera. Estando já sobrancora se alevantou de
noite hum temporal, com que correram de longo da costa ate tomarem hum
porto muito bom, onde Pedralures surgio com as outras naos & por ser tal
lhe pos nome Porto Seguro».
Além das cartas acima mencionadas, outro importante documento sobre o
descobrimento do Brasil é o Relato do Piloto Anônimo.
De início, a descoberta da nova terra foi mantida em sigilo pelo Rei de
Portugal. O resto do mundo passou a conhecer o Brasil desde pelo menos
1507, quando a terra apareceu com o nome de América na carta (mapa) de
Martin Waldseemüller, no qual está assinalado na costa o Porto Seguro.
A controvérsia sobre o descobrimento será estudada em verbete à parte,
dada sua extensão.
Expedições exploratórias
Em 1501, uma grande expedição exploratória, a primeira frota de
reconhecimento, com três naus, encontrou como recurso explorável apenas
o pau-brasil (madeira avermelhada e valiosa usada na tinturaria
européia), mas fez um levantamento da costa. Comandada por Gaspar de
Lemos, a viagem teve início em 10 de maio de 1501 e findaria com o
retorno a Lisboa em 7 de setembro de 1502, depois de percorrer a costa e
dar nome aos principais acidentes geográficos. Sobre o comandante, podem
ter sido D. Nuno Manuel, André Gonçalves, Fernão de Noronha, Gonçalo
Coelho ou Gaspar de Lemos, sendo este último o nome mais aceito. Em
1501, no dia 1 de novembro, foi descoberta a Baía de Todos os Santos, na
atual Bahia, local que mais tarde seria escolhido por D. João III para
abrigar a sede da administração colonial.
Alguns historiadores negam a hipótese de Gonçalo Coelho, que só teria
partido de Lisboa em 1502. O Barão do Rio Branco, em suas Efemérides,
fixa-se em André Gonçalves, que é a versão mais comumente aceita. Mas
André Gonçalves fazia parte da armada de Cabral, que retornou a Lisboa
quando a expedição de 1501 já partira para o Brasil e com ela cruzou na
altura do arquipélago de Cabo Verde.
Assim, diversos historiadores optam por Gaspar de Lemos, que entre junho
e julho de 1500 havia chegado a Portugal com a notícia do descobrimento.
O florentino Américo Vespúcio vinha como piloto na frota (e por seu nome
seria batizado todo o continente, mais tarde). Depois de 67 dias de
viagem, em 16 de agosto, a frota alcançou o que hoje é o Cabo de São
Roque (Paraíba) e, segundo Câmara Cascudo, ali plantou o marco de posse
mais antigo do Brasil. Houve, na ocasião, contatos entre portugueses e
os índios potiguares.
Ao longo das expedições, os portugueses costumavam batizar os acidentes
geográficos segundo o calendário com os nomes dos santos dos dias,
ignorando os nomes locais dados pelos nativos. Em 1 de novembro (Dia de
Todos os Santos), chegaram à Baía de Todos os Santos, em 21 de dezembro
(dia de São Tomé) ao Cabo de São Tomé, em 1 de janeiro de 1502 à Baía da
Guanabara (por isso batizada de "Rio de Janeiro") e no dia 6 de janeiro
(Dia de Reis) à angra (baía) batizada como Angra dos Reis. Outros
lugares descobertos foram a foz do rio São Francisco e o Cabo Frio,
entre vários.
As três naus que chegaram à Guanabara eram comandadas por Gonçalo
Coelho, e nela vinha Vespúcio. Tomando a estreita entrada da barra pela
foz de um rio, chamaram-na Rio de Janeiro, nome que se estendeu à cidade
de São Sebastião que ali se ergueria mais tarde.
Em 1503 houve nova expedição, desta vez comandada (sem controvérsias)
por Gonçalo Coelho, sem ser estabelecido qualquer assentamento ou
feitoria. Foi organizada em função um contrato do rei com um grupo de
comerciantes de Lisboa para extrair o pau-brasil. Trazia novamente
Vespúcio e seis navios. Partiu em maio de Lisboa, esteve em agosto na
ilha de Fernando de Noronha e ali afundou a nau capitânia,
dispersando-se a armada. Vespúcio pode ter ido para a Bahia, passado
seis meses em Cabo Frio, onde fez entrada de 40 léguas terra adentro.
Ali teria deixado 24 homens com mantimentos para seis meses. Coelho, ao
que parece, esteve recolhido na região onde se fundaria depois a cidade
do Rio de Janeiro, possivelmente durante dois ou três anos.
Nessa ocasião, Vespúcio, a serviço de Portugal, retornou ao maior porto
natural da costa brasileira, a Baía de Todos os Santos. Durante as três
primeiras décadas, o litoral baiano, com suas inúmeras enseadas, serviu
fundamentalmente como apoio à rota da Índia, cujo comércio de produtos
de luxo – seda, tapetes, porcelana e especiarias – era mais vantajoso
que os produtos oferecidos pela nova colônia. Nos pequenos e grandes
portos naturais baianos, em especial no de Todos os Santos, as frotas se
abasteciam de água e de lenha e aproveitavam para fazer pequenos
reparos.
No Rio de Janeiro, alguns navios aportaram no local que os índios
chamavam de Uruçu-Mirim, a atual praia do Flamengo. Junto à foz do rio
Carioca (outrora abundante fonte de água doce) foram erguidas uma casa
de pedra e um arraial, deixando-se no local degredados e galinhas. A
construção inspirou o nome que os índios deram ao local (cari-oca, "casa
dos brancos"), que passaria a ser o gentílico da cidade do Rio. O
arraial, no entanto, foi logo destruído. Outras esquadras passariam pela
Guanabara: a de Cristóvão Jacques, em 1516; a de Fernão de Magalhães
(que chamou o local de Baía de Santa Luzia), em 1519, na primeira
circunavegação do mundo; outra vez a de Jacques, em 1526, e a de Martim
Afonso de Sousa, em 1531.
Outras expedições ao litoral brasileiro podem ter ocorrido, já que desde
1504 são assinaladas atividades de corsários. Holanda, em Raízes do
Brasil, cita o capitão francês Paulmier de Gonneville, de Honfleur, que
permaneceu seis meses no litoral de Santa Catarina. A atividade de
navegadores não-portugueses se inspirava doutrina da liberdade dos
mares, expressada por Hugo Grotius em Mare liberum, base da reação
européia contra Espanha e Portugal, gerando pirataria alargada pelos
mares do planeta.
Extração de pau-brasil
O pau-brasil (que os índios tupis chamavam de ibirapitanga) era a
principal riqueza de crescente demanda na Europa. Estima-se que havia,
na época do descobrimento, mais de 70 milhões de árvores do tipo,
abundando numa faixa de 18km do litoral do Rio Grande do Norte até a
Guanabara. Quase todas foram derrubadas e levadas para a Europa. A
extração foi tanta que atualmente a espécie é protegida para não sofrer
extinção.
Para explorar a madeira, a Coroa adotou a política de oferecer a
particulares, em geral cristãos-novos, concessões de exploração do
pau-brasil mediante certas condições: os concessionários deveriam mandar
seus navios descobrirem 300 léguas de terra, instalar fortalezas nas
terras que descobrissem, mantendo-as por três anos; do que levassem para
o Reino, nada pagariam no primeiro ano, no segundo pagariam um sexto e
no terceiro um quinto. Os navios ancoravam na costa, algumas dezenas de
marinheiros desembarcavam e recrutavam índios para trabalhar no corte e
carregamento das toras, em troca de pequenas mercadorias como roupas,
colares e espelhos (prática chamada de "escambo"). Cada nau carregava em
média cinco mil toras de 1,5 metro de comprimento e 30 quilogramas de
peso.
Em 1503, toda a terra do Brasil foi arrendada pela coroa a Fernão de
Noronha (ou Loronha), e outros cristãos-novos, produzindo 20 mil
quintais de madeira vermelha. Segundo Capistrano de Abreu, em Capítulos
da História Colonial, cada quintal era vendido em Lisboa por 21/3
ducados, mas levá-lo até lá custava apenas meio ducado. Os arrendatários
pagavam 4 mil ducados à Coroa.
Comerciantes de Lisboa e do Porto enviavam embarcações à costa para
contrabandearem pau-brasil, aves de plumagem colorida (papagaios,
araras), peles, raízes medicinais e índios para escravizar. Surgiram,
assim, as primeiras feitorias. O náufrago Diogo Álvares, o Caramuru,
estabeleceu-se desde 1510 na barra da Baía de Todos os Santos, onde
negociava com barcos portugueses e estrangeiros. Outra feitoria foi
chamada de Aldeia Velha de Santa Cruz, próxima ao local da descoberta.
Além dos portugueses, seus rivais europeus, principalmente franceses,
passaram a freqüentar a costa brasileira para contrabandear a madeira e
capturar índios. Os franceses contrabandearam muito pau-brasil no
litoral norte, entre a foz do rio Real e a Baía de Todos os Santos, mas
não chegaram a estabelecer feitoria. Outro ponto de contrabando,
sobretudo no século XVII, foi o Morro de São Paulo (Bahia). Até que
Portugal estabelecesse o sistema de capitanias hereditárias, a presença
mais constante na terra era dos franceses. Estimulados por seu rei,
corsários passam a freqüentar a Guanabara à procura de pau-brasil e
outros produtos. Ganharam a simpatia dos índios tamoios, que a eles se
aliaram durante décadas contra os portugueses.
Portugal, verificando que o litoral era visitado por corsários e
aventureiros estrangeiros, resolveu enviar expedições militares para
defender a terra. Foram denominadas expedições guarda-costas, sendo mais
marcantes as duas comandadas por Cristóvão Jacques, de 1516-1519 e
1526-1528. Suas expedições tinham caráter basicamente militar, com
missão de aprisionar os navios franceses que, sem pagar tributos à
coroa, retiravam grandes quantidades do pau-brasil. A iniciativa teve
poucos resultados práticos, considerando a imensa extensão do litoral e,
como solução, Jacques sugeriu à Coroa dar início ao povoamento.
A expedição enviada em 1530 sob a chefia de Martim Afonso de Sousa tinha
por objetivos explorar melhor a costa, expulsar os franceses que
rondavam o sul e as cercanias do Rio de Janeiro, e estabelecer núcleos
de colonização ou feitorias, como a estabelecida em Cabo Frio. Foram
fundados por esta expedição os núcleos de São Vicente e São Paulo, onde
o português João Ramalho vivia como náufrago desde 1508 e casara-se com
a índia Bartira, filha do cacique Tibiriçá. A presença de Ramalho, que
ajudava no contato com os nativos e instalara-se na aldeia de
Piratininga, foi o que inspirou Martim Afonso a instalar a vila de São
Vicente perto do núcleo que viria a ser São Paulo.
A mais polêmica expedição seria a de Francisco de Orellana que, em 1535,
penetrando pela foz do rio Orinoco e subindo-o, descreve que numa única
viagem, em meio de um incrível emaranhado de rios e afluentes
amazônicos, teria encontrado o rio Cachequerique, raríssima e incomum
captura fluvial que une o rio Orinoco aos rios Negro e Amazonas.
Administração colonial
Típico engenho de cana-de-açúcarVer artigos principais: Colonização do
Brasil, Brasil Colônia.
Capitanias do Mar (1516-1532)
A administração das terras ultramarinas, que a princípio foi arrendada a
Fernão de Noronha, agente da Casa Fugger (1503-1511), ficou a cargo
direto da Coroa, que não conseguia conter as freqüentes incursões de
franceses na nova terra. Por isso, em 1516, D. Manuel I e seu Conselho
criam nos Açores e na Madeira as chamadas «capitanias do mar», por
analogia com as estabelecidas no Oceano Índico. O objetivo fundamental
era garantir o monopólio da navegação e a política do mare clausum (mar
fechado). De dois em dois anos, o capitão do mar partia com navios para
realizar um cruzeiro de inspeção no litoral, defendendo-o das incursões
francesas ou castelhanas. No Brasil, teriam visitado quatro armadas.
As armadas de Jacques assinaram-se com insistência no rio da Prata.
Também em 1516 ocorre a primeira tentativa de colonização metódica e
aproveitamento da terra com base na plantação da cana (levada de Cabo
Verde) e na fabricação do açúcar. Já devia ter havido algumas tentativas
de capitanias e estabelecimentos em terra, pois em 15 de julho de 1526 o
rei D. Manuel I autorizou Pedro Capico, "capitão de uma capitania do
Brasil", a regressar a Portugal porque "lhe era acabado o tempo de sua
capitania". Talvez Jacques tenha ido buscar Capico em Porto Seguro, pois
a ele era justamente atribuída a fundação de uma feitoria no local,
muito antes de ser doada como capitania a Pero do Campo Tourinho. Outras
capitanias incipientes podem ter existido pelo menos em Pernambuco,
Porto Seguro, Rio de Janeiro e São Vicente.
Roberto Simonsen (em História Econômica do Brasil, pág.120) comenta:
«Na terra de Santa Cruz, o valor e as possibilidades de comércio não
justificavam (...) organizações da mesma importância» que as feitorias
de Portugal na África. «Mesmo assim, foram instaladas, quer pelos
concessionários do comércio do pau-brasil, quer pelo próprio governo
português, várias feitorias, postos de resgate onde se concentravam, sob
o abrigo de fortificações primitivas, os artigos da terra que as naus
vinham buscar. São por demais deficientes até hoje as notícias sobre
estas feitorias, Igaraçu, Itamaracá, Bahia, Porto Seguro, Cabro Frio,
São Vicente e outras intermediárias, que desapareciam, ora esmagadas
pelo gentio, ora conquistadas pelos franceses. Mas o próprio comércio do
pau-brasil é uma demonstração de sua existência, e as notícias sobre a
década anterior, de 1530, salientam a preocupação do Governo português
de defendê-las.» Eram assim postos de resgate de caráter temporário,
estabelecimentos efêmeros, assolados por entrelopos e corsários
franceses, por selvagens. Por muitos anos cessará todo o interesse de
Portugal pelo Brasil. O Brasil ficou ao acaso... Colonizar a nova terra
seria dispendioso, sem lucro imediato. Portugal, no auge de sua técnica
de navegação, de posse de feitorias fincadas em vastíssimas costas de
oceanos, não tinha recursos humanos, com uma população estimada em um
milhão de habitantes. Impunha-se uma atitude predominantemente fiscal.
Havia o quê? Havia macacos, papagaios, selvagens nus e primitivos. Mas
havia pau-brasil...»
João Ribeiro (em História do Brasil) diz que
«depois das primeiras explorações, as terras do Brasil tornaram-se
constante teatro da pirataria universal. Especuladores franceses,
alemães, judeus e espanhóis aqui aportam, comerciam com o gentio ou
seelvajam-se e com eles convivem em igual barbaria. Os navegadores de
todos os pontos aqui se aprovisionam ou se abrigam das tempestades.
Aventureiros aqui desembarcam, e vivem à ventura, na companhia de
degredados e foragidos. O que procura a corte portuguesa de D. Manuel I
são as riquezas do Oriente, e se alguma expedição aqui toca e se demora,
(....) não é o Brasil que as atrai mas ainda a fascinação do Oriente.»
Capitanias hereditárias (1532-1549)
Capitanias do Brasil
As capitanias hereditáriasA apatia só iria cessar quando D. João III
ascendeu ao trono. Na década de 1530, Portugal começava a perder a
hegemonia do comércio na África Ocidental e no Índico. Circulavam
insistentes notícias da descoberta de ouro e de prata na América
Espanhola. Então, em 1532, o rei decidiu ocupar as terras pelo regime de
capitanias, mas num sistema hereditário, pelo qual a exploração passaria
a ser direito de família. O capitão e governador, títulos concedidos ao
donatário, teria amplos poderes, dentre os quais o de fundar povoamentos
(vilas e cidades), conceder sesmarias e administrar a justiça. O sistema
de capitanias hereditárias implicava na divisão de terras vastíssimas,
doadas a capitães-donatários que seriam responsáveis por seu controle e
desenvolvimento, e por arcar com as despesas de colonização. Foram
doadas aos que possuíssem condições financeiras para custear a empresa
da colonização, e estes eram principalmente "membros da burocracia
estatal" e "militares e navegadores ligados à conquista da Índia"
(segundo Eduardo Bueno em "História de Brasil"). De acordo com o mesmo
autor, a sugestão teria sido dada ao rei por Diogo de Gouveia, ilustre
humanista português, e respondia a uma "absoluta falta de interesse da
alta nobreza lusitana" nas terras americanas.
Foram criadas, nesta divisão, quinze faixas longitudinais de diferentes
larguras que iam de acidentes geográficos no litoral até o Meridiano das
Tordesilhas, e foram oferecidas a doze donatários. Destes, quatro nunca
foram ao Brasil; três faleceram pouco depois; três retornaram a
Portugal; um foi preso por heresia (Tourinho) e apenas um se dedicou à
colonização (Duarte Coelho em Pernambuco).
Primeira capitania do Maranhão: doada a João de Barros e Aires da Cunha
Segunda capitania do Maranhão: doada a Fernando Álvares de Andrade
Capitania do Ceará: doada a António Cardoso de Barros
Capitania do Rio Grande: doada a João de Barros e Aires da Cunha
Capitania de Itamaracá: doada a Pero Lopes de Sousa
Capitania de Pernambuco ou Nova Lusitânia: doada a Duarte Coelho
Capitania da Baía de Todos os Santos: doada a Francisco Pereira Coutinho
Capitania dos Ilhéus: doada a Jorge de Figueiredo Correia
Capitania de Porto Seguro: doada a Pero de Campos Tourinho
Capitania do Espírito Santo: doada a Vasco Fernandes Coutinho
Capitania de São Tomé: doada a Pero de Góis
Capitania do Rio de Janeiro: doada a Martim Afonso de Sousa
Capitania de Santo Amaro: doada a Pero Lopes de Sousa
Capitania de São Vicente: doada a Martim Afonso de Sousa
Capitania de Santana: doada a Pero Lopes de Sousa
Das quinze capitanias originais, apenas as capitanias de Pernambuco e de
São Vicente prosperaram. As terras brasileiras ficavam a dois meses de
viagem de Portugal. Além disso, as notícias das novas terras não eram
muito animadoras: na viagem, além do medo de "monstros" que habitariam o
oceano (na superstição européia), tempestades eram freqüentes; nas novas
terras, florestas gigantescas e impenetráveis, povos antropófagos e não
havia nenhuma riqueza mineral ainda descoberta. Em 1536, chegou o
donatário da capitania da Baía de Todos os Santos, Francisco Pereira
Coutinho, que fundou o Arraial do Pereira, na futura cidade do Salvador,
mas se revelou mau administrador e foi morto pelos tupinambás. Tampouco
tiveram maior sucesso as capitanias dos Ilhéus e do Espírito Santo,
devastadas por aimorés e tupiniquins.
Governo-Geral (1549-1580)
Tomé de Sousa
Tomé de SousaApós o fracasso do projeto de capitanias, o rei João III
unificou as capitanias sob um Governo-Geral do Brasil e em 7 de janeiro
de 1549 nomeou Tomé de Sousa para assumir o cargo governador-geral. A
expedição do primeiro governador chegou ao Brasil em 29 de março do
mesmo ano, com ordens para fundar uma cidade para abrigar a sede da
administração colonial. O local escolhido foi a Baía de Todos os Santos
e a cidade foi chamada de São Salvador da Baía de Todos os Santos. As
condições favoráveis da terra, o clima quente, o solo fértil, a
excelente posição geográfica, fizeram com que o rei decidisse reverter a
capitania para a Coroa (expropriando-a do donatário Pereira Coutinho).
As tarefas de Tomé de Sousa eram tornar efetiva a guarda da costa,
auxiliar os donatários, organizar a ordem política e jurídica na
colônia. O governador organizou a vida municipal, e sobretudo a produção
açucareira: distribuiu terras e mandou abrir estradas, além de fazer
construir um estaleiro.
Desse modo, o Governo-Geral centralizou a administração colonial,
subordinando as capitanias a um só governador-geral que tornasse mais
rápido o processo de colonização. Em 1548, elaborou-se o Regimento do
Governador-Geral, que regulamentava o trabalho do governador e de seus
principais auxiliares - o ouvidor-mor (Justiça), o provedor-mor
(Fazenda) e o capitão-mor (Defesa).
O governador também levou ao Brasil os primeiros missionários católicos,
da ordem dos jesuítas, como o padre Manuel da Nóbrega. Por ordens suas,
ainda, foram introduzidas na colônia as primeiras cabeças de gado, de
novilhos levados de Cabo Verde.
Ao chegar à Bahia, Tomé de Sousa encontrou o velho Arraial do Pereira
com seus moradores, e mudaram o nome do local para Vila Velha. Também
moravam nos arredores o náufrago Diogo Álvares "Caramuru" e sua esposa
Paraguaçu (batizada como Catarina), perto da capela de Nossa Senhora das
Graças (hoje o bairro da Graça, em Salvador). Consta que Tomé de Sousa
teria pessoalmente ajudado a construir as casas e a carregar pedras e
madeiras para construção da capela de Nossa Senhora da Conceição da
Praia, uma das primeiras igrejas erguidas no Brasil.
Duarte da Costa
Em 1553, a pedidos, Tomé de Sousa foi exonerado do cargo e substituído
por Duarte da Costa, fidalgo e senador nas Cortes de Lisboa. Em sua
expedição foram também 260 pessoas, incluindo seu fiho, Álvaro da Costa,
e o então noviço José de Anchieta, jesuíta basco que seria o pioneiro na
catequese dos nativos americanos. A administração de Duarte foi
conturbada. Já de início, a intenção de Álvaro em escravizar os
indígenas, incluindo os catequizados, esbarrou na impertinência de Dom
Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil. O governador
interveio a favor do filho e autorizou a captura de indígenas para uso
em trabalho escravo. Disposto a levar as queixas pessoalmente ao rei de
Portugal, Sardinha partiu para Lisboa em 1556 mas naufragou na costa de
Alagoas e acabou devorado pelos caetés antropófagos.
Durante o governo de Duarte da Costa, uma expedição de protestantes
franceses se instalou permanentemente na Guanabara e fundou a colônia da
França Antártica. Ultrajada, a Câmara Municipal da Bahia apelou à Coroa
pela substituição do governador. Em 1556, Duarte foi exonerado, voltou a
Lisboa e em seu lugar foi enviado Mem de Sá, com a missão de retomar a
posse portuguesa do litoral sul.
Mem de Sá
O terceiro Governador-Geral, Mem de Sá (1558-1572), deu continuidade à
política de concessão de sesmarias aos colonos e montou ele próprio um
engenho, às margens do rio Serjipe, que mais tarde viria a pertencer ao
conde de Linhares (Engenho de Sergipe do Conde).
Para enfrentar os colonos franceses estabelecidos na França Antártica,
aliados aos Tamoios na baía de Guanabara, Mem de Sá aliou-se aos
Temiminós do cacique Araribóia. O seu sobrinho, Estácio de Sá, comandou
a retomada da região e fundou a cidade do Rio de Janeiro a 20 de Janeiro
de 1565, dia de São Sebastião.
União Ibérica (1580-1640)
Com o desaparecimento de D. Sebastião, Portugal ficou sob união pessoal
com a Espanha, e foi governada pelos três reis Filipes (Filipe II,
Filipe III e Filipe IV, dos quais se subtrai um número quando referentes
a Portugal e ao Brasil). Isso virtualmente acabou com a linha divisória
do meridiano das Tordesilhas e permitiu que o Brasil se expandisse para
o oeste.
Várias expedições exploratórias do interior (chamado de "os sertões")
foram organizadas, fosse sob ordens diretas da Coroa ("entradas") ou por
caçadores de escravos paulistas ("bandeiras", donde o nome
"bandeirantes"). Estas expedições duravam anos e tinham o objetivo
principalmente de capturar índios como escravos e encontrar pedras
preciosas e metais valiosos, como ouro e prata. Foram bandeirantes
famosos, entre outros, Fernão Dias, Bartolomeu Bueno da Silva
(Anhangüera), Raposo Tavares, Domingos Jorge Velho, Borba Gato e Antônio
Azevedo.
A União Ibérica também colocou o Brasil em conflito com potências
européias que eram amigas de Portugal mas inimigas da Espanha, como a
Inglaterra e a Holanda. Esta última atacou e invadiu extensas faixas do
litoral nordestino, fixando-se principalmente em Pernambuco e na Paraíba
por vinte e cinco anos.
Estado do Maranhão e Estado do Brasil (1621-1640)
Das mudanças administrativas durante o domínio espanhol (ver Colonização
do Brasil), a mais importante sucedeu em 1621, com a divisão da colônia
em dois Estados independentes: o Estado do Brasil (de Pernambuco a atual
Santa Catarina) e o Estado do Maranhão (do atual Ceará à Amazônia). A
razão se baseava no destacado papel assumido pelo Maranhão como ponto de
apoio e de partida para a colonização do norte e nordeste. O Maranhão
tinha por capital São Luís, e o Estado do Brasil sua capital em
Salvador.
Quando o rei Filipe III (IV da Espanha) separou o Brasil e o Maranhão,
passaram a existir três capitanias reais: Maranhão, Ceará e Grão-Pará, e
seis capitanias hereditárias. Em 1737, com sua sede transferida para
Belém, o Maranhão passou a ser chamado de Grão-Pará e Maranhão. Tal
instalação era efeito do isolamento do extremo norte do Estado do
Brasil, pois o regime de ventos impedia durante meses as comunicações
entre São Luís e a Bahia. No século XVII, o Estado do Brasil se estendia
do atual Rio Grande do Norte até Santa Catarina, e no século XVIII já
estariam incorporados o Rio Grande de São Pedro (atual Rio Grande do
Sul) e as regiões mineiras.
Economia colonial
A economia da colônia, iniciada com o puro extrativismo de pau-brasil e
o escambo entre os colonos e os índios, gradualmente passou à produção
local, com os cultivos da cana-de-açúcar e do cacau. O engenho de açúcar
(manufatura do ciclo de produção açucareiro) constituiu a peça principal
do mercantilismo português, organizadas em grandes propriedades. Estas,
como se chamou mais tarde, eram latifúndios, caracterizados por terras
extensas, abundante mão-de-obra escrava, técnicas complexas e baixa
produtividade.
Para sustentar a produção de cana-de-açúcar, os portugueses começaram, a
partir de meados do século XVI, a importar africanos como escravos. Eles
eram pessoas capturadas entre tribos das feitorias européias na África
(às vezes com a conivência de chefes locais de tribos rivais) e
atravessados no Atlântico nos navios negreiros, em péssimas condições de
asseio e saúde. Ao chegarem à América, essas pessoas eram
comercializadas como mercadoria e obrigados a trabalhar nas plantações e
casas dos colonizadores. Dentro das fazendas, viviam aprisionados em
galpões rústicos chamados de senzalas, e seus filhos também eram
escravizados, perpetuando a situação pelas gerações seguintes.
Nas feitorias, os mercadores portugueses vendiam principalmente armas de
fogo, tecidos, utensílios de ferro, aguardente e tabaco, adquirindo
escravos, pimenta, marfim e outros produtos.
Até meados do século XVI, os portugueses possuíam o monopólio do tráfico
de escravos. Depois disso, mercadores franceses, holandeses e ingleses
também entraram no negócio, enfraquecendo a participação portuguesa.
Gilberto Freyre comenta:
«O Brasil nasceu e cresceu econômica e socialmente com o açúcar, entre
os dias venturosos do pau-de-tinta e antes de as minas e o café o terem
ultrapassado. Efetivamente, o açúcar foi base na formação da sociedade e
na forma de família. A casa de engenho foi modelo da fazenda de cacau,
da fazenda de café, da estância. Foi base de um complexo sociocultural
de vida».
Houve engenhos ainda nas capitanias de São Vicente e do Rio de Janeiro,
que cobriam cem léguas e couberam ambas a Martim Afonso de Sousa. Este
receberia o apoio de João Ramalho e de seu sogro Tibiriçá. No Rio,
funcionava o engenho de Rodrigo de Freitas, nas margens da lagoa que
hoje leva seu nome. Ao entrar o século XVII, o açúcar brasileiro era
produto de importação nos portos de Lisboa, Antuérpia, Amsterdã, Roterdã,
Hamburgo. Sua produção, muito superior à das ilhas portuguesas no
Atlântico, supria quase toda a Europa. Gabriel Soares de Sousa, em 1548,
comentava o luxo reinante na Bahia e o padre Fernão Cardim exaltava suas
capelas magníficas, os objetos de prata, as lautas refeições em louça da
Índia, que servia de lastro nos navios: «Parecem uns condes e gastam
muito», reclamava o padre.
Em meados do século XVII, o açúcar produzido nas Antilhas Holandesas
começou a concorrer fortemente na Europa com o açúcar do Brasil. Os
holandeses tinham aperfeiçoado a técnica, com a experiência adquirida no
Brasil, e contavam com um desenvolvido esquema de transporte e
distribuição do açúcar em toda a Europa. Portugal foi obrigado a
recorrer à Inglaterra e assinar diversos tratados que afetariam a
economia da colônia. Em 1642, Portugal concedeu à Inglaterra a posição
de "nação mais favorecida" e os comerciantes ingleses passaram a ter
maior acesso ao comércio colonial. Em 1654 Portugal aumentou os direitos
ingleses; mas poderiam negociar diretamente vários produtos do Brasil
com Portugal e vice-versa, excetuando-se alguns produtos como bacalhau,
vinho, pau-brasil). Em 1661 a Inglaterra se comprometeu a defender
Portugal e suas colônias em troca de dois milhões de cruzados, obtendo
ainda as possessões de Tânger e Bombaim. Em 1703 Portugal se comprometeu
a admitir no reino os panos dos lanifícios ingleses, e a Inglaterra, em
troca, a comprar vinhos portugueses. Data da época o famosíssimo Tratado
de Methuen, do nome de seu negociador inglês, ou tratado dos Panos e
Vinhos. Na época, satisfazia os interesses dos grupos dominantes mas
teria como conseqüência a paralisação da industrialização em Portugal,
canalizando para a Inglaterra o ouro que acabava de ser descoberto no
Brasil.
No nordeste brasileiro se encontrava a pecuária, tão importante para o
domínio do interior, já que eram proibidos rebanhos de gado nas fazendas
litorâneas, cuja terra de massapê era ideal para o açúcar. Estuda-se bem
o açúcar no item dedicado à invasão holandesa.
A conquista do sertão, povoado por diversos grupos indígenas foi lenta e
se deveu muito à pecuária (o gado avançou ao longo dos vales dos rios)
e, muito mais tarde, às expedições dos Bandeirantes que vinham prear
índios para levar para São Paulo. A esse respeito, consultar o extenso
capítulo sobre Entradas e Bandeiras.
O Ciclo do Ouro
No final do século XVII descobriu-se ouro nos ribeiros das terras que
pertenciam à capitania de São Paulo e mais tarde ficaram conhecidas como
Minas Gerais. Descobriram-se depois, no final da década de 1720,
diamante e outras gemas preciosas. Esgotou-se o ouro abundante nos
ribeirões, que passou a ser mais penosamente buscado em veios dentro da
terra. Apareceram metais preciosos em Goiás e no Mato Grosso, no século
XVIII. A Coroa cobrava, como tributo, um quinto de todo o minério
extraído, o que passou a ser conhecido como "o quinto". Os desvios e o
tráfico de ouro, no entanto, eram freqüentes. Para coibi-los, a Coroa
instituiu toda uma burocracia e mecanimos de controle. Quando a soma de
impostos pagos não atingia uma cota mínima estabelecida, os colonos
deveriam entregar jóias e bens pessoais até completar o valor estipulado
— episódios chamados de derramas.
O período que ficou conhecido como Ciclo do Ouro iria permitir a criação
de um mercado interno, já que havia demanda por todo tipo de produtos
para o povoamento das Minas Gerais. Era preciso levar, Serra da
Mantiqueira acima, escravos e ferramentas, ou, rio São Francisco abaixo,
os rebanhos de gado para alimentar a verdadeira multidão que para lá
acorreu.
A essa época maioria da população de Minas Gerais , aproximadamente 78%,
era formada por negros e mestiços. Ao contrário do que se pensava na
Capitania do Ouro a riqueza não era mais bem distribuída do que em
outras partes do Brasil. Hoje se sabe que foram poucos os beneficiados
no solo mais rico da América no século XVIII.
As condições de vida dos escravizados na região mineira eram
particularmente difíceis. Eles trabalhavam o dia inteiro em pé, com as
costas curvadas e com as pernas mergulhadas na água. Ou então em túneis
cavados nos morros, onde era comum ocorrerem desabamentos e mortes. Os
negros escravizados não realizavam apenas tarefas ligadas à mineração.
Também transportavam mercadorias e pessoas, construíam estradas, casas e
chafarizes, comerciavam pelas ruas e lavras. Alguns proprietários
alugavam seus escravos a outras pessoas. Esses trabalhadores eram
chamados de “escravos de ganho”. Era o caso, por exemplo, das mulheres
que vendiam doces e salgados em tabuleiros pelas ruas.
A Sociedade Mineradora e as Camadas Médias
O Brasil passou por sensíveis transformações em função da mineração. Um
novo pólo econômico cresceu no Sudeste, relações comerciais
inter-regionais se desenvolveram, criando um mercado interno e fazendo
surgir uma vida social essencialmente urbana. A camada média, composta
por padres, burocratas, artesãos, militares, mascates e faisqueiros,
ocupou espaço na sociedade.
As minas propiciaram uma diversificação relativa dos serviços e ofícios,
tais como comerciantes, artesãos, advogados, médicos, mestre-escolas
entre outros. No entanto foi intensamente escravagista, desenvolvendo a
sociedade urbana às custas da exploração da mão de obra escrava. A
mineração também provocou o aumento do controle do comercio de escravos
para evitar o esvaziamento da força de trabalho das lavouras, já que os
escravos eram os únicos que trabalhavam.
Também foi responsável pela tentativa de escravização dos índios,
através das bandeiras, que com intuito de abastecer a região centro-sul
promoveu a interiorização do Brasil. Apesar de modificar a estrutura
econômica, manteve a estrutura de trabalho vigente, beneficiando apenas
os ricos e os homens livres que compunham a camada média. Outro fator
negativo foi a falta de desenvolvimento de tecnologias que permitissem a
exploração de minas em maior profundidade, o que estenderia o período de
exploração (e consequentemente mais ouro para Portugal).
Assim, o eixo econômico e político se deslocou para o centro-sul da
colônia e o Rio de Janeiro tornou-se sede administrativa, além de ser o
porto por onde as frotas do rei de Portugal iam recolher os impostos. A
cidade foi descrita pelo padre José de Anchieta como "a rainha das
províncias e o empório das riquezas do mundo", e por séculos foi a
capital do Brasil.
Conflitos coloniais
Amador Bueno é aclamado "Rei do Brasil" em 1641A época colonial foi
marcada por vários conflitos, tanto entre portugueses e outros europeus,
e europeus contra nativos, como entre os próprios colonos. O maior
deles, sem dúvida, foi a Guerra contra os Holandeses (ou Guerras
Holandesas, de 1630 a 1647, na Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco,
Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
A insatisfação com a administração colonial provocou a Revolta de Amador
Bueno em São Paulo e, no Maranhão, a Revolta de Beckman. Os colonos
enchiam os navios que aportavam no Brasil, esvaziando o reino, e foram
apelidados "emboabas" porque andavam calçados contra a maioria da
população, que andava descalça. Contra eles se levantaram os paulistas,
nas refregas do início do século XVIII que ficariam conhecidas como
Guerra dos Emboabas e paulistas e ensanguentaram o rio que até hoje se
chama Rio das Mortes.
Em Pernambuco, a disputa política e econômica entre mercadores e
canavieiros, após a expulsão dos holandeses, levou à Guerra dos
Mascates. Os escravos negros que fugiam das fazendas se refugiavam nas
serras do agreste nordestino e lá fundavam quilombos, dos quais o mais
importante foi o de Palmares, liderado por Ganga Zumba e seu sobrinho
Zumbi. A campanha para destruí-lo foi a Guerra de Palmares (1693-1695).
No sul, a tentativa de escravizar indígenas levou a confrontos com os
missionários jesuítas, organizados nas "reduções" (missões) de catequese
com os guaranis. As Guerras Guaraníticas duraram, intermitentemente, de
1750 a 1757.
Já com o Ciclo do Ouro, a capitania de Minas Gerais sofreu a Revolta de
Filipe dos Santos e a Inconfidência Mineira (1789), seguida pela
Conjuração Baiana em Salvador dez anos mais tarde.
Principado do Brasil
Corte no Brasil (1808-1822)
Mudança da Corte e Abertura dos Portos
Embarque para o Brasil do Príncipe Regente de Portugal, D. João VI, e de
toda a família real, no Porto de Belém, às 11 horas da manhã de 27 de
novembro de 1807. Gravura feita por Francisco Bartolozzi (1725-1815) a
partir de óleo de Nicolas Delariva.Em novembro de 1807, as tropas de
Napoleão Bonaparte obrigaram a coroa portuguesa a procurar abrigo no
Brasil. Dom João VI (então Príncipe-Regente em nome de sua mãe, a Rainha
Maria I) chegou ao Rio de Janeiro em 1808, abandonando Portugal após uma
aliança defensiva feita com a Inglaterra (que escoltou os navios
portugueses no caminho).
Os portos brasileiros foram abertos às nações amigas (designadamente, a
Inglaterra). A abertura dos portos se deu em 28 de janeiro de 1808 por
outra carta régia de D. João, influenciado por José da Silva Lisboa. Foi
permitida a importação "de todos e quaisquer gêneros, fazendas e
mercadorias transportadas em navios estrangeiros das potências que se
conservavam em paz e harmonia com a Real Coroa" ou em navios
portugueses. Os gêneros molhados (vinho, aguardente, azeite) pagariam
48%; outros mercadorias, os secos, 24% ad valorem. Podia ser levado
pelos estrangeiros qualquer produto colonial, exceto o pau-brasil e
outros «notoriamente estancados» (produzidos e armazenados na própria
colônia).
Era efeito também da expansão do capital; e deve-se recordar a falência
dos recursos coatores portugueses e a tentativa de diminuir, abrindo os
portos, a total dependência de Portugal da Inglaterra. No Reino,
desanimaram os que se haviam habituado aos generosos subsídios, às 100
arrobas de ouro anuais, às derramas, às tentativas de controle completo.
Um autor português do século XIX comenta que foi
"uma revolução no sistema comercial e a ruína da indústria portuguesa;
era necessária, mas cumpria modificá-la apenas as circunstâncias que a
haviam ditado desaparecessem; ajudando assim o heróico Portugal em seu
esforço generoso, em vez de deixar que estancassem as fontes da
prosperidade!"
D. João, sua família e comitiva (a Corte), distribuídos por diversos
navios, chegaram ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808. Foram
acompanhados pela Brigada Real da Marinha, criada em Portugal em 1797,
que deu origem ao Corpo de Fuzileiros Navais brasileiros. Instalaram-se
no Paço da Cidade, construído em 1743 pelo Conde de Bobadela como
residência dos governadores. Além disso, a Coroa requisitou o Convento
do Carmo e a Cadeia Velha para alojar os serviçais e as melhores casas
particulares. A expropriação era feita pelo carimbo das iniciais PR (de
Príncipe-Regente) nas portas das casas requisitadas, o que fazia o povo,
com ironia, interpretar a sigla como "Ponha-se na Rua!".
A abertura foi acompanhada por uma série de melhoramentos introduzidos
no Brasil. No dia 1 de abril do mesmo ano, D. João expediu um decreto
que revogava o alvará de 5 de janeiro de 1785 pelo qual se extinguiam no
Brasil as fábricas e manufaturas de ouro, prata, seda, algodão, linho e
lã. Depois do comércio, chegava "a liberdade para a indústria". Em 13 de
maio, novas cartas régias (decretos) determinaram a criação da Imprensa
Nacional e de uma Fábrica de Pólvora (até então, a pólvora brasileira
era fabricada na Fábrica de Pólvora de Barcarena, desde 1540). Em 12 de
outubro foi fundado o Banco do Brasil para financiar as novas
iniciativas e empreitadas. Tais medidas do Príncipe fariam com que se
pudesse contar nesta época os primórdios da independência do Brasil.
Em represália à França, D. João ordenou ainda a invasão e anexação da
Guiana Francesa, no extremo norte, e da banda oriental do rio Uruguai,
no extremo sul, já que a Espanha estava então sob o reinado de José
Bonaparte, irmão de Napoleão, e portanto era considerada inimiga. O
primeiro território foi devolvido à soberania francesa em 1817, mas o
Uruguai foi mantido incorporado ao Brasil sob o nome de Província
Cisplatina. Em 9 de fevereiro de 1810, no Rio de Janeiro, foi assinado
um Tratado de Amizade e comércio pelo Príncipe Regente com Jorge III,
rei da Inglaterra.
Enquanto isso, na Espanha, os liberais (ainda acostumados com certa
liberdade econômica imposta por Napoleão enquanto ocupara o país, de
1807 a 1810) se revoltaram contra os restauradores Bourbon (dinastia à
qual pertencia a Carlota Joaquina, esposa de D. João) e impuseram-lhes a
Constituição de Cádiz em 19 de março de 1812. Em reação, o rei Fernando
VII (irmão de Carlota), dissolveu as cortes em 4 de maio de 1814, mas a
resposta viria em 1820 com a vitória da Revolução Liberal (ou
constitucional). Por isso, D. João e seus ministros se ocuparam das
questões do Vice-Reinado do Rio da Prata, tão logo puseram o pé no Rio,
e daí surgiria a questão da incorporação da Cisplatina.
É importante lembrar que o Brasil foi elevado a Principado do Brasil em
(1645–1816) tendo sido o Brasil uma colônia do Império Português,
careceu de bandeira própria por mais de trezentos anos. Não era costume,
na tradição vexilológica lusitana, a criação de bandeiras para suas
colônias, quando muito de um brasão. Visto que seu o título uso era
exclusivo aos herdeiros aparentes do trono português, o pavilhão dos
príncipes do Brasil pode ser tido como a primeira representação flamular
do Brasil. Sobre campo branco – cor relacionada à monarquia –
inscreve-se uma esfera armilar – objeto que viria a ser, por muito
tempo, o símbolo do Brasil. Já no pavilhão pessoal de D. Manuel I,
aparece este que foi um objeto crucial para viabilizar as explorações
marítimas de Portugal. Contudo, como Principado não possui nenhum
privilegio administrativo, militar, econômico e social, pois ainda era
visto como uma colonia portuguesa.
Elevação a Reino Unido
Brasão do Vice Reino do Brasil, de 1815No contexto das negociações do
Congresso de Viena, o Brasil foi elevado à condição de Reino dentro do
Estado português, que assumiu a designação oficial de Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves em 16 de dezembro de 1815. A carta de lei
foi publicada na Gazeta do Rio de Janeiro de 10 de janeiro de 1816,
oficializando o ato. O Rio de Janeiro, por conseguinte, subia à
categoria de Corte e capital, as antigas capitanias passaram a ser
denominadas províncias (hoje, os estados). No mesmo ano, a rainha Maria
I morreu e D. João foi coroado rei como João VI. Deu ao Brasil como
brasão-de-armas a esfera manuelina com as quinas, encontradas já no
século anterior em moedas da África portuguesa (1770).
Revolução no Porto e Retorno de D. João VI
D. João VI deixaria o Brasil em 1821. Em agosto de 1820 houvera no Porto
uma revolução constitucionalista (revolução liberal portuguesa de 1820),
movimento com idéias liberais que ganhou adeptos no reino. Em setembro
de 1820, uma Junta Provisória de Governo obrigou os portugueses a
jurarem uma Constituição provisória, nos moldes da Constituição
espanhola de Cádiz, até redação de uma constituição definitiva. Em
janeiro de 1821, em Portugal, aconteceu a solene instalação das Cortes
Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa,
encarregadas de elaborar a constituição, mas sem representantes
brasileiros. Em fevereiro, D. João VI ordenou que deputados do Brasil
(bem como dos Açores, Madeira e Cabo Verde) participassem da assembléia.
Em março, as Cortes em Portugal expediram decreto com as bases da
constituição política da monarquia . No Rio, outro decreto comunicava o
retorno do rei para Portugal e ordenava que, «sem perda de tempo»,
fossem realizadas eleições dos deputados para representarem o Brasil nas
Cortes Gerais convocadas em Lisboa. Chegaria em abril a Lisboa um
delegado da Junta do Pará, Maciel Parente, que por exceção conseguiu
discursar e foi o primeiro brasileiro a falar perante aquela Assembléia.
Em abril, no Rio, realizou-se a primeira assembléia de eleitores do
Brasil, que resultou em confronto com mortos, pois as tropas portuguesas
dissolveram a manifestação. No dia seguinte, cariocas afixaram à porta
do Paço um cartaz com a inscrição "Açougue do Bragança", referindo-se ao
Rei como carniceiro. D. João VI partiu para Portugal cinco dias depois,
em 16 de abril de 1821, deixando seu primogênito Pedro de Alcântara como
Príncipe-Regente do Brasil.
Em 1821, o Brasil elegeu seus representantes, em número de 81, para as
Constituintes em Lisboa. Em agosto de 1821, as Cortes apresentariam três
projetos para o Brasil que irritaram os representantes brasileiros com
medidas recolonizadoras que estes se recusavam a aceitar. Depois de
Maciel Parente, o monsenhor Francisco Moniz Tavares, deputado
pernambucano, seria o primeiro brasileiro a discursar oficialmente, em
vivo debate com os deputados portugueses Borges Carneiro, Ferreira
Borges e Moura, contra a remessa de mais tropa para Pernambuco e a
incômoda presença da numerosa guarnição militar portuguesa na província.
A separação do Brasil foi informalmente realizada em janeiro de 1822,
quando D. Pedro declarou que iria permanecer no Brasil ("Dia do Fico"),
com as seguintes palavras: Como é para o bem de todos e felicidade geral
da nação, estou pronto: diga ao povo que fico. Agora só tenho a
recomendar-vos união e tranquilidade.
Porém, a separação do Brasil se é dada no dia 7 de setembro de 1822, com
o "grito do Ipiranga" que foi romantizando, apesar da separação
anteriormente.
Império (1822-1889)
Primeiro reinado
O Grito do Ipiranga, de Pedro Américo (óleo sobre tela - 1888).Após a
declaração da independência, o Brasil foi governado por Dom Pedro I até
o ano de 1831, período chamado de Primeiro Reinado, quando abdicou em
favor de seu filho, Dom Pedro II, então com cinco anos de idade.
Logo após a independência, e terminadas as lutas nas províncias contra a
resistência portuguesa, foi necessário iniciar os trabalhos da
Assembléia Constituinte. Esta havia sido convocada antes mesmo da
separação, em julho de 1822; foi instalada, entretanto, somente em maio
de 1823.
Logo se tornou claro que a Assembléia iria votar uma constituição
restringindo os poderes imperiais (apesar da idéia centralizadora
encampada por José Bonifácio e seu irmão Antônio Carlos de Andrada e
Silva). Porém, antes que ela fosse aprovada, as tropas do exército
cercaram o prédio da Assembléia, e por ordens do imperador a mesma foi
dissolvida, devendo a constituição ser elaborada por juristas da
confiança de Dom Pedro I.
Dom Pedro I.Foi então outorgada a constituição de 1824, que trazia uma
inovação: o Poder Moderador. Através dele, o imperador poderia
fiscalizar os outros três poderes.
Surgiram diversas críticas ao autoritarismo imperial, e uma revolta
importante aconteceu no Nordeste: a Confederação do Equador. Foi
debelada, mas Dom Pedro I saiu muito desgastado do episódio. Outro
grande desgaste do Imperador foi por o Brasil na Guerra da Cisplatina,
onde o país não manteve o controle sobre a então região de Cisplatina
(hoje, Uruguai). Também apareciam os primeiros focos de descontentamento
no Rio Grande do Sul, com os farroupilhas.
Em 1831 o imperador decidiu visitar as províncias, numa última tentativa
de estabelecer a paz interna. A viagem deveria começar por Minas Gerais;
mas ali o imperador encontrou uma recepção fria, pois acabara de ser
assassinado Líbero Badaró, um importante jornalista de oposição. Ao
voltar para o Rio de Janeiro, Dom Pedro deveria ser homenageado pelos
portugueses, que preparavam-lhe uma festa de apoio; mas os brasileiros,
discordando da festa, entraram em conflito com os portugueses, no
episódio conhecido como Noite das Garrafadas.
Dom Pedro tentou mais uma medida: nomeou um gabinete de ministros com
suporte popular. Mas desentendeu-se com os ministros e logo depois
demitiu o gabinete, substituindo-o por outro bastante impopular. Frente
a uma manifestação popular que recebeu o apoio do exército,não teve
muita escolha, assim criou o quinto poder.
Mas, não deu certo a idéia, e não restou nada ao imperador a não ser a
renúncia, no dia 7 de abril de 1831.
Período regencial
Ver artigo principal: Período regencial brasileiro
Durante o período de 1831 a 1840, o Brasil foi governado por diversos
regentes, encarregados de administrar o país enquanto o herdeiro do
trono, D. Pedro II, ainda era menor.
A princípio a regência era trina, ou seja, três governantes eram
responsáveis pela política brasileira, no entanto com o ato adicional de
1834, que, além de dar mais autonomia para as províncias, substituiu o
caráter tríplice da regência por um governo mais centralizador.
O primeiro regente foi o Padre Diogo Antônio Feijó , que notabilizou-se
por ser um governo de inspirações liberais, porém, devido às pressões
políticas e sociais, teve que renunciar.
O governo de caráter liberal caiu para dar lugar ao do conservador
Araújo Lima, que centralizou o poder em suas mãos, sendo atacado
veementemente pelos liberais, que só tomaram o poder devido ao golpe da
maioridade.
Destacam-se neste período a instabilidade política e a atuação do tutor
José Bonifácio, que garantiu o trono para D. Pedro II.
Teve início neste período a Revolução Farroupilha, em que os gaúchos
revoltaram-se contra a política interna do Império, e declararam a
República Piratini.
Também neste período ocorreram a Cabanada, de Alagoas e Pernambuco; a
Cabanagem, do Pará; a revolta dos Malês e a Sabinada, na Bahia; e a
Balaiada, no Maranhão.
Segundo reinado
Dom Pedro II.O Segundo Reinado teve início com o Golpe da Maioridade
(1840), que elevou D. Pedro II ao trono, antes dos 18 anos, com 15 anos.
O período pode ser divido em três etapas principais:
a chamada fase de consolidação, que se estende de 1840 a 1850. As lutas
internas são pacificadas, o café inicia a sua expansão, a tarifa Alves
Branco permite a Era Mauá.
o chamado apogeu do Império, um período marcado por grande estabilidade
política, permitida pelo sistema parlamentarista (o parlamentarismo às
avessas) e pela política de conciliação. Em termos de Relações
Internacionais, o período é marcado pela Questão Christie e pela Guerra
do Paraguai.
o chamado declínio do Império, marcado pela Questão Militar, pela
Questão Religiosa, pelas lutas abolicionistas e pelo movimento
republicano, que conduzem ao fim do regime.
Libertação dos escravos
Os primeiros movimentos contra a escravidão foram feitos pelos
missionários jesuítas, que combateram a escravização dos indígenas mas
toleraram a dos africanos. O fim gradual do tráfico negreiro foi
decidido no Congresso de Viena, ainda em 1815. Desde 1810, a Inglaterra
fez uma série de exigências a Portugal e passou a reprimir violentamente
o tráfico a partir de 1845, com a Lei Aberdeen. Em 1871, o Parlamento
Brasileiro aprovou e a Princesa Isabel assinou a Lei 2.040, conhecida
como Lei Rio Branco ou Lei do Ventre Livre, determinando que todos os
filhos de escravos nascidos desde então seriam livres a partir dos 21
anos. Em 29 de setembro de 1885, promulgou-se uma outra lei, a Lei dos
Sexagenários (Lei Saraiva–Cotegipe) que determinava que escravos a
partir de 60 anos poderiam ser livres, mas na verdade era uma ironia,
pois os escravos raramente passavam dos 45 anos. Desde 1880, havia sido
criada a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão que, juntamente com a
Associação Central Abolicionista e outras organizações, passou a ser
conhecida pela Confederação abolicionista liderada por José do
Patrocínio, filho de uma escrava negra com um padre. Em 1884, os
governos do Ceará e do Amazonas resolveram abolir a escravidão, no que
foram pioneiros.
As fugas de escravos prosseguiam. O exército se negava a perseguir os
negros fugidos. Há que lembrar ainda os Caifases, liderados por Antônio
Bento, que promoviam a fuga dos negros, perseguiam os capitães-de-mato e
ameaçavam os senhores escravistas. A abolição definitiva era necessária.
Diz-se que havia 720 mil escravos para população de 13,5 milhões
habitantes: cerca de 5%.
Original da Lei Áurea, assinada pela Regente Dona Isabel
(1888)Finalmente, o primeiro-ministro conservador João Alfredo promoveu
a votação de uma lei que determinava a extinção definitiva da
escravidão. Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei
Áurea, que já havia sido aprovada pelo Parlamento, abolindo toda e
qualquer forma de escravidão no Brasil.
A aristocracia escravista, oligarquia rural arruinada com a abolição sem
indenização, culpou o governo e aderiu ao Partido Republicano na
oposição ao regime: uma das conseqüências da abolição seria a queda da
Monarquia. A economia cafeeira paulista, porém, quando comparada à de
outras regiões, não sofreu abalos, pois já se baseava na mão-de-obra
livre, assalariada.
Muitos escravos negros permaneceram no campo, praticando uma economia de
subsistência em pequenos lotes, outros buscaram as cidades, onde
entraram num processo de marginalização. Desempregados, passaram a viver
em choças e barracos nos morros e nos subúrbios. O Brasil foi o último
país das Américas a abolir a escravidão.
República (1889-2008)
República Velha (1889-1930)
República da Espada
Marechal Deodoro da Fonseca.Em 15 de novembro de 1889, o Marechal
Deodoro da Fonseca decretou o fim do período imperial numa quartelada
quase sem força política e nenhum apoio popular (golpe militar de
Estado), e o início de um período republicano ditatorial, destituindo o
último imperador brasileiro, D. Pedro II, que teve de partir em exílio
para a Europa, após 4 anos de ditadura com um caos e várias mortes de
federalistas , negros lutando por seus direitos, entre outros,
iniciou-se a era civil da República Velha, uma farsa democracial que só
serviu para atrasar o país, se no Império já tinhamos PIB igual ao dos
EUA , veio com a Proclamação um grande atraso econômico e
constitucional. O primeiro ato dos militares republicanos foi o de
aumentar o salário de cada ministro em 10 vezes o valor do que cada
membro da família real recebia. Após a Primeira República, esse atraso
se agigantou, aumentando a dependência externa. O Brasil de império
independente, torna-se uma República dependente de várias nações por
iniciativa própria e sem recursos para sustentar a imensa onda de
imigrantes europeus. O nome do país mudou de Império do Brasil para
Estados Unidos do Brasil.
A primeira constituição da República do Brasil foi feita dia 15 de
novembro de 1890.
República do Café com Leite
Entre 1889 e 1930, o governo foi oficialmente uma democracia
constitucional e, a partir de 1894, a presidência alternou entre os
estados dominantes da época São Paulo e Minas Gerais. Como os paulistas
eram grandes produtores de café, e os mineiros estavam voltados à
produção leiteira, a situação política do período ficou conhecida como
Política do Café-com-Leite.
No século XIX o café começou a substituir a cana-de-açúcar como o
principal produto de exportação. A riqueza trazida pelo café deu fama
internacional e prestígio ao Brasil, o que atraiu muitos imigrantes,
principalmente da Itália e Alemanha. O país desenvolveu uma base
industrial e começou a se expandir para o interior do país.
A República Velha terminou quando um golpe de estado foi implantado por
Getúlio Vargas, um civil, instituindo-o presidente provisório, até que
novas eleições fossem convocadas.
Os presidentes do período foram:
1889 - Governo temporário do marechal Manuel Deodoro da Fonseca
1891 - Eleito o marechal Deodoro da Fonseca. Seu vice é o marechal
Floriano Vieira Peixoto
1894 - Prudente José de Morais e Barros
1898 - Manuel Ferraz de Campos Sales
1902 - Francisco de Paula Rodrigues Alves
1906 - Afonso Augusto Moreira Pena (morreu durante o mandato)
1906 - Nilo Procópio Peçanha (vice de Afonso Pena, assumiu em seu lugar)
1910 - marechal Hermes da Fonseca
1914 - Venceslau Brás Pereira Gomes
1918 - Francisco de Paula Rodrigues Alves (morreu antes de assumir)
1918 - Delfim Moreira da Costa Ribeiro (vice de Francisco Alves, assumiu
em seu lugar).
1919 - Epitácio da Silva Pessoa
1922 - Artur da Silva Bernardes
1926 - Washington Luís Pereira de Sousa (deposto pela revolução de 1930)
1930 - Junta governativa: General Augusto Tasso Fragoso, General João de
Deus Mena Barreto, Almirante Isaías de Noronha
Era Vargas (1930-1945)
Getúlio VargasEm 1930, a Junta de Governo foi substituída por Getúlio
Dorneles Vargas, como presidente do Governo Provisório. Ele foi eleito
presidente pela Assembléia Constituinte.
Logo após a tomada do poder em novembro de 1930, Getúlio Vargas nomeou
interventores federais para governar os estados. Para São Paulo foi
nomeado o tenentista João Alberto, fato que ficou atravessado na
garganta das elites políticas paulistas, desejosas de recuperar o poder
perdido. Ao se iniciar o ano de 1932, crescem os reclamos dessa elite
liderada pela FUP (Frente Única Paulista).
Os paulistas, que mantinham um esquema de domínio político durante a
primeira república, tentam articular um golpe em 1932 para depor Vargas.
A justificativa encontrada pelas oligarquias locais para buscar apoio do
povo é que o país precisava de uma Constituição - pois desde 1930 Vargas
dizia que "assumia provisoriamente" a presidência e que o mais cedo
possível entregaria uma nova Constituição ao país, com a subsequente
realização de eleições para presidente. Daí o nome de Revolução
Constitucionalista de 1932, deflagrada a 9 de julho. Os paulistas foram
apoiados provisoriamente pelo estado do Mato Grosso, mas as tropas
federais garantiram uma rápida vitória para Vargas.
Em 1934, no entanto, o país ganha uma Constituição. Getúlio Vargas é
eleito presidente, tendo três anos seguintes como governante
constitucional.
Seguem-se anos conturbados, em que ocorre certa polarização na política
nacional. De um lado ganha força a esquerda, representada principalmente
pela Aliança Nacional Libertadora (ANL) e pelo Partido Comunista
Brasileiro (PCB); de outro a direita, que ganha forma num movimento de
inspiração fascista chamado Integralismo.
Uma articulação revolucionária de esquerda é tentada em 1935, por parte
de um setor das forças armadas e de alguns indivíduos ligados a URSS. O
movimento fracassa, e é apelidado jocosamente de Intentona Comunista. Um
dos principais líderes desse movimento foi o ex-tenente do exército Luís
Carlos Prestes, que fica preso e incomunicável por 10 anos. Sua mulher,
a comunista e judia Olga Benário, tem um destino pior: os agentes de
Vargas a enviam para a polícia política da Alemanha Nazista. Olga acaba
morrendo em um campo de concentração, concluindo um dos episódios mais
vexatórios da política externa brasileira.
O escritor Graciliano Ramos também é preso depois da Intentona
Comunista, supostamente por praticar atividades subversivas. Um retrato
de seus dias na prisão e da situação política instável do país está
gravado em seu livro Memórias do Cárcere.
Graças ao clima de pânico provocado pela polarização política (os
integralistas tentam um putsch algum tempo depois), Vargas articula uma
situação que lhe permite decretar um golpe de estado um ano antes de
novas eleições presidenciais. Em 10 de novembro de 1937, Vargas anuncia
o Estado Novo.
A justificativa primária do golpe é a existência de um plano comunista
para a tomada do poder, "apoiado por Moscou" - é o chamado Plano Cohen.
Posteriormente descobriu-se que o plano foi uma armação dos agentes de
Vargas. O apoio da classe média garante o sucesso do golpe, pois há
algum tempo cresciam os temores de que o comunismo poderia aterrissar no
Brasil.
Vargas consegue prolongar seus anos de presidência até 1945. É
emblemático notar que uma das figuras mais conhecidas de seu governo foi
o chefe de polícia Filinto Muller. A censura oprime a expressão
artística e científica: em 1939 é criado o DIP, Departamento de Imprensa
e Propaganda. Além da censura, o DIP atuava na propaganda pró-Vargas,
fazendo com que a imagem do presidente fosse exaltada ao extremo.
Soldados brasileiros da Força Expedicionária Brasileira (FEB) após a
Batalha de Monte Castelo.Por essas características é que, iniciada a
Segunda Guerra Mundial, não se sabia se Getúlio Vargas apoiaria o Eixo
(com quem parecia ter mais afinidade) ou os Aliados. O clima de tensão
culminara na adesão aos países aliados em 1942, após ataques alemães em
navios mercantes brasileiros que resultaram na morte de dezenas de
pessoas. A barganha getulista obtivera vantagens econômicas e militares:
instituiu-se um acordo econômico com os Estados Unidos que possibilitara
a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Além disso, outro
acordo possibilitara o reaparelhamento das forças armadas brasileiras. A
pressão popular pela criação de uma força expedicionária torna-se
concreta, mesmo contra a vontade de Vargas, que afirmara que o envio de
tropas brasileira ocorreria quando "a cobra fumar". Posteriormente,
percebendo a crescente pressão interna (camadas médias urbanas) e
externa (os Estados Unidos temiam uma possível desestabilização de poder
no Brasil, não desejosa em tempos de guerra), Vargas cedeu, criando a
Força Expedicionária Brasileira (FEB); cujo lema fora "A Cobra Vai
Fumar". A compensação à ajuda financeira deu-se de forma logística e
material: garantiu-se o suprimento de matérias-primas aos aliados (2º
ciclo da borracha), e permitiu-se a instalação de uma base militar na
região Nordeste (Rio Grande do Norte), garantido o domínio logístico e
militar dos aliados sobre o atlântico sul.
Ao término da guerra, fazia pouco sentido que Vargas continuasse no
poder. O fascismo fora derrotado, e os brasileiros notaram isso. Getúlio
Vargas é forçado a renunciar em 29 de outubro de 1945 pelas forças
armadas, seguindo para seu estado natal, o Rio Grande do Sul, e
elegendo-se senador.
República Nova (1945-1964)
Eurico Gaspar DutraO período conhecido como República Nova ou República
de 46 inicia com a renúncia forçada de Vargas, em outubro de 1945. O
General Eurico Gaspar Dutra foi o presidente eleito e empossado no ano
seguinte. Em 1946 foi promulgada nova Constituição, mais democrática que
a anterior, restaurando direitos individuais.
Em 1950, Getúlio Vargas foi mais uma vez eleito presidente, desta vez
pelo voto direto. Em seu segundo governo foi criada a Petrobrás, fruto
de tendências nacionalistas que receberam suporte das camadas operárias,
dos intelectuais e do movimento estudantil. Porém, os tempos não eram
mais os mesmos, e Getúlio não conseguiu conduzir tão bem o seu governo.
Pressionado por uma série de eventos, em 1954 Getúlio Vargas comete
suicídio dentro do Palácio do Catete. Assumiu o vice-presidente, João
Fernandes Campos Café Filho.
Juscelino Kubitschek (JK), o presidente Bossa NovaEm 1955, Juscelino
Kubitschek foi eleito presidente e tomou posse em janeiro de 1956, ainda
que tenha enfrentado tentativas de golpe. Seu governo caracterizou-se
pelo chamado desenvolvimentismo, doutrina que se detinha nos avanços
técnico-industriais como suposta evidência de um avanço geral do país. O
lema do desenvolvimentismo sob Juscelino foi 50 anos em 5. Em 1960,
Kubitschek inaugurou Brasília, a nova capital do Brasil.
Já em 1961, Jânio Quadros (eleito em 1960) assumiu a presidência, mas
renunciou em agosto do mesmo ano. Jânio, um ex-professor paulista que
pregava a moralização do governo e era membro da UDN, fez um governo
contraditório: ao lado de medidas esdrúxulas (como a proibição de
biquínis nas praias), o presidente condecorou o revolucionário argentino
Ernesto Che Guevara, para a supresa da UDN. Com a condecoração, Jânio
tentava uma aproximação com o bloco socialista para fins estritamente
econômicos, mas assim não foi a interpretação da direita no Brasil, que
passou a alardear o pânico com a "iminência" do comunismo.
Jânio QuadrosAcredita-se atualmente que Jânio Quadros tentou promover o
auto-golpe, ou seja, renunciar para voltar com plenos poderes, apostando
que o congresso não aceitaria a renúncia por causa do vice, ligado à
esquerda trabalhista. Mas, se for verdade, falhou, e o congresso aceitou
sua renúncia.
O vice-presidente João Goulart, conhecido como Jango, assumiu após uma
rápida crise política: os militares não queriam aceitá-lo na
presidência, alegando o "perigo comunista". Além de ex-ministro
trabalhista, Goulart encontrava-se na China quando da renúncia de Jânio
Quadros (que, pela teoria do auto-golpe, tentou aproveitar-se dessa
viagem de seu vice). Uma solução intermediária é acertada e instala-se o
parlamentarismo no Brasil. Em 1963, entretanto, João Goulart recuperou a
chefia de governo com o plebiscito que aprovou a volta do
presidencialismo. Governa até 1964, com constantes problemas criados
pela oposição militar, em parte devido a seu nacionalismo.
João Goulart
Regime Militar (1964-1985)
Ver artigo principal: Anos de chumbo
O governo de João Goulart foi marcado por alta inflação, estagnação
econômica e uma forte oposição das forças armadas. Em 31 de março de
1964 as Forças Armadas realizam um golpe, destituindo João Goulart. Os
líderes do golpe, dentre eles os governadores dos estados do Rio de
Janeiro, Carlos Lacerda, de Minas Gerais, Magalhães Pinto e de São
Paulo, Adhemar de Barros, escolheram como presidente o General Humberto
de Alencar Castelo Branco, seguido pelo General Arthur da Costa e Silva
(1967-1969), o General Emílio Garrastazu Médici (1968-74), o General
Ernesto Geisel (1974-79) e o General João Baptista de Oliveira
Figueiredo (1979-84). Entre as características adquiridas pelos governos
decorrentes do golpe militar, também chamado de Contra-Revolução,
destacam-se a supressão de alguns direitos constitucionais dos elementos
e instituições ligados à suposta tentativa de golpe pelos comunistas, e
uma forte censura à imprensa, após a edição do AI-5.
Humberto de Alencar Castelo BrancoEm 1965, todos os partidos políticos
então existentes são declarados extintos, e teve início a intensificação
da repressão política aos comunistas. Somente dois partidos eram
permitidos, a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), e o Movimento
Democrático Brasileiro (MDB), que veio a servir de refúgio a toda a
esquerda e extrema esquerda política. Em pequenos municípios, porém, a
divisão entre os dois partidos não era ideológica, mas sim atendia às
divisões das oligarquias locais.
Em 1967, foi aprovada a sexta Constituição Brasileira pelo Congresso,
institucionalizando o golpe/Revolução/Contra-revolução, e estabelecendo
eleições indiretas para Presidente, realizada via Colégio eleitoral,
este eleito diretamente.
Artur da Costa e SilvaNo mesmo ano, diante do crescimento dos movimentos
de contestação, o General Arthur da Costa e Silva assumiu a presidência.
Em dezembro de 1968, fechou o Congresso e decreta o Ato Institucional nº
5, o AI-5, que lhe deu o direito de fechar o Parlamento, cessar direitos
políticos e suprimir o direito de habeas-corpus. Neste período,
intensificou-se a luta armada nas cidades e no campo em busca da
derrubada do governo militar. Praticamente, tudo teve início com o
atentado no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, em 1966,
com diversos mortos e feridos, e em diversos outros pontos do país,
principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Foi após a configuração
desta conjuntura de terror e justiçamentos da parte dos grupos
comunistas que a censura teve sua implantação consolidada.
Emílio MédiciEm 1969, Costa e Silva sofreu uma trombose e ficou
incapacitado; uma junta formada pelos comandantes das Forças Armadas
assumiu o poder. Em outubro, o General Médici foi eleito presidente no
Congresso, e comanda o período mais sangrento da ditadura militar, com a
mais forte repressão aos grupos de terroristas e guerrilheiros
marxistas, com suspeitos e colaboradores sendo presos, ocasionalmente
torturados, exilados ou mortos em confrontos com as forças policiais do
Estado. Nesta época teve início o movimento guerrilheiro no Araguaia e a
realização de seqüestros de embaixadores estrangeiros por grupos de
esquerda. Estes seqüestros eram usados, em sua maioria, como forma de
pressionar o governo militar a libertar presos políticos. Após a
redemocratização do país, contabilizou-se pouco mais de trezentos
mortos, de ambos os lados.
Ernesto GeiselEm 1974, o General Ernesto Geisel assumiu a presidência,
tendo que enfrentar grandes problemas econômicos, causados pela dívida
externa criada pelo governo Médici, e agravados pela crise internacional
do petróleo, e uma alta taxa de inflação.
General João Figueiredo Geisel iniciou a abertura democrática que
foi continuada pelo seu sucessor, o General Figueiredo (1979-85).
Figueiredo não só permitiu o retorno de políticos exilados ou banidos
das atividades políticas durante os anos 60 e 70, mas também autorizou
que concorressem nas eleições municipais e estaduais em 1982.
O primeiro presidente civil eleito desde o golpe militar de 1964 foi
Tancredo Neves. Ele não chegou a assumir, sendo operado no dia 14 de
março de 1985 e contraindo infecção hospitalar. No dia da posse, 15 de
março de 1985, assume então José Sarney de modo interino, e após 21 de
abril, data do falecimento de Tancredo Neves, como presidente em caráter
pleno.